Mostrando postagens com marcador Dicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dicas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Abafadores x Isoladores de Som - Acústico

Barulho de tirar o sono

Gostei imensamente de ver suas respostas e também o assunto é muito importante. As construtoras deveriam ser mais criteriosas. E aproveitando, tenho um problema. Minha sala divide uma parade com a cozinha do vizinho e todo o barulho da cozinha, inclusive a água da pia, faz um tremendo barulho. Já coloquei isolamento acústico e nao adiantou nada, gastei muito dinheiro e tive que retirar o isolamento, pois ficou a mesma coisa. O que devo fazer?

Abraços,Heli
Olá Heli,
Obrigada pela audiência!
Antes de mais nada o que você se refere a isolamento acústico? As pessoas confundem os abafadores de som com isolantes de som. Os abafadores ou absorvedores são tipos de produtos no mercado que podemos encontrar desde painéis de madeira, espumas onduladas, tecidos pesados, materiais que vibrem com o som e quebrem o paralelismo do ambiente deixando o som mas atenuado e audível  e menos eco.
Os isolantes de som são para barrar barulho externo para dentro e vice-versa; barreiras feitas de material de preferência sólido, tipo parede de tijolo maciço, paredes duplas de drywall com preenchimento de lã de rocha, vidro duplo laminado em caixilho de PVC…
 
Sequência de imagens de difusores acústicos
Sequência de trabalho realizado para isolar o barulho de um elevador ao lado: trabalho com drywall. (Todos os trabalhos foram feitos por uma empresa especializada em tratamento acústico: a Pro-Acustic).
Não sou PHD em acústica, mas acho que dá para entender as diferenças das ações que as pessoas precisam tomar em cada caso. Se precisam isolar ou absorver um ruido interno.
No seu caso Heli, o indicado é fazer nova parede e tijolo maciço. Trabalhoso? Sem dúvida, mas você vai melhorar uns 80% a 100% do problema.
Boa sorte! 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pronome - VOCÊ é pronome de 2ª ou 3ª pessoa? - GRANITO ou GRANIZO? - DEVE ou DEVEM? - EXPLICAR ou JUSTIFICAR? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



VOCÊ é pronome de 2ª ou 3ª pessoa?

Carta de um leitor: “O pronome VOCÊ(S), a rigor, é usado como 3ª pessoa do singular/plural, conforme atestam as 3as. pessoas do modo imperativo. Na prática, ele funciona como 2ª pessoa, uma vez que é usado para se referir à pessoa com quem se fala e não à pessoa de quem se fala. É isto que me intriga.”

Meu caro, sinto muito, mas você vai continuar intrigado.

Você está certíssimo ao afirmar que o pronome VOCÊ faz concordância como se fosse de 3ª pessoa e que na prática funciona como se fosse de 2ª pessoa (=com quem se fala).

A explicação está na origem do pronome. VOCÊ se deriva da expressão VOSSA MERCÊ, que se transformou com o tempo até chegar ao atual VOCÊ. Isso significa que, pela sua origem, VOCÊ é um pronome de tratamento.

O problema é que todos os pronomes de tratamento (=VOSSA SENHORIA, VOSSA EXCELÊNCIA, VOSSA MAJESTADE, VOSSA SANTIDADE…) fazem a concordância de 3ª pessoa. Assim sendo, o pronome VOCÊ é como se fosse de 3ª pessoa, mas é usado em substituição ao TU (2ª pessoa = com quem se fala).

Então, não esqueça:

Tu falas e você fala (=indicativo); fala tu e fale você (=imperativo);

Tu vens e você vem (=indicativo); vem tu e venha você (=imperativo);

Tu pões e você põe (=indicativo); põe tu e ponha você (=imperativo)…

O uso do modo IMPERATIVO

Carta de uma leitora: “Tenho a lembrança de que aprendi que o imperativo afirmativo se forma do indicativo presente sem o “s” e o imperativo negativo é igual ao subjuntivo presente. Tomando um exemplo desta coluna: Advogado, mostre sua arte! Eu pensei que fosse: Advogado, mostra sua arte! MOSTRE só se a frase fosse negativa: Advogado, não mostre sua arte! Será que estou fazendo confusão?”

Nossa leitora está realmente fazendo confusão.

Quanto ao imperativo negativo, sua memória está perfeita: é totalmente derivado do presente do subjuntivo: “Advogado, não MOSTRE sua arte!”

A sua confusão está no imperativo afirmativo. A 2ª pessoa do singular (TU) realmente se forma do presente do indicativo sem o “s”: MOSTRA tu, FALA tu, LIGA tu, VEM tu, PÕE tu…

O problema é que você esqueceu que a 3ª pessoa (VOCÊ) vem do presente do subjuntivo: MOSTRE você, FALE você, LIGUE você, VENHA você, PONHA você…

Quanto à frase “Advogado, MOSTRA sua arte!”, o que a norma culta condena é a mistura de pessoas: MOSTRA (tu = 2ª pessoa) e SUA (3ª pessoa). Haveria duas soluções: “Advogado, MOSTRE (você) SUA arte!” ou “Advogado, MOSTRA (tu) TUA arte!”



GRANITO ou GRANIZO?

Alguns leitores dizem ter lido num bom jornal: “Em cidades como La Plata, na Argentina, chegou a cair chuva de GRANITO.”

Meus leitores têm razão. É um erro indesculpável.

Eu sei que a rivalidade com os nossos irmãos argentinos é muito grande, mas não a esse ponto. Chuva de GRANITO é demais. Provavelmente a cidade de La Plata estaria totalmente destruída.

Aviso aos navegantes: a chuva é de GRANIZO.



DEVE ou DEVEM?


A dúvida é: “É a pessoa física ou jurídica a quem DEVEM ou DEVE ser pagos os benefícios garantidos no Título”?

O sujeito está no plural (=os benefícios). O verbo deve concordar no plural: “É a pessoa física ou jurídica a quem DEVEM ser pagos os benefícios garantidos no Título”.




EXPLICAR ou JUSTIFICAR?

Vejamos o que dizem alguns dicionários:

1º) Dicionário Caldas Aulete:

EXPLICAR, tornar inteligível ou claro. Justificar…;

JUSTIFICAR, demonstrar a inocência de, dar ou reconhecer por

inocente, desculpar…

2º) Dicionário Michaelis:

EXPLICAR, tornar claro ou inteligível; aclarar; explanar; fazer-se

compreender; justificar…

JUSTIFICAR, declarar justo, demonstrar ou reconhecer a inocência de; absolver; desculpar; explicar com razões plausíveis…

Pelo visto, os dois verbos até poderiam ser considerados sinônimos. Na prática, entretanto, gosto de fazer a “velha” distinção: se você quer esclarecer, explica; se você quer ser inocentado, justifica. Só assim podemos entender a tal história do “EXPLICA, mas não JUSTIFICA”, ou seja, “dá pra entender, mas não dá pra desculpar”; “esclareceu, mas não tem perdão”.

Uso da vírgula - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Uso da vírgula

“Meu filho vem jantar em casa.” (= É uma afirmação. Meu filho é o sujeito. O verbo está no presente do indicativo);
“Meu filho, vem jantar em casa.” (= É um chamamento. Meu filho é o vocativo. O verbo está no imperativo).
Essas lembranças têm um motivo especial. São as dezenas de cartas que recebi a respeito da vírgula usada em propagandas do tipo: “Quem lê, sabe” e “Quem sabe, lê”.

Prefiro sem vírgula. Quem lê é o sujeito do verbo saber e Quem sabe é o sujeito de verbo ler. Não vejo necessidade de se criar uma exceção. Se é sujeito, mesmo que oracional, não precisa ser separado do verbo por vírgula. Observe a diferença:

“Quem lê o Jornal X ouve a Rádio Y.” (= Estou afirmando que o leitor do Jornal X ouve a Rádio Y. A oração Quem lê o Jornal X é o sujeito do verbo ouvir, que está no presente do indicativo. É o mesmo que eu dissesse: “O leitor do Jornal X ouve a Rádio Y”.);
“Quem lê o Jornal X, ouve a Rádio Y.” (= Estou fazendo um apelo ou um convite ao leitor do Jornal X para que ele ouça a Rádio Y. O verbo ouvir está no imperativo. É como se eu dissesse: “Você que lê o Jornal X, ouça a Rádio Y” ou “Tu que lês o Jornal X, ouve a Rádio Y”.
Na minha opinião, não devemos pôr vírgula entre o sujeito e o verbo em hipótese alguma: “Quem lê sabe”; “Quem sabe lê”; “Quem avisa amigo é”; “Quem casa quer casa”; “Quem estuda passa”; “Quem bebe Grapete repete”…

Alguns autores defendem a vírgula. Afirmam que há uma pausa bem marcada entre as duas orações, principalmente quando os dois verbos ficam juntos. Não nego que seja possível fazermos uma pausa entre um verbo e outro. Isso não significa, porém, que devemos marcar essa pausa com uma vírgula.

Outros justificam o uso da vírgula com o seguinte argumento: em “quem lê” está subentendida uma oração adjetiva restritiva. Corresponderia a “aquele que lê”. Na minha opinião, temos aqui mais um motivo para não usarmos a vírgula, pois só devemos usar vírgula para separar as orações adjetivas explicativas. Portanto, também não devemos usar vírgula em construções do tipo: “Aquele que lê sabe”; “Aquele que sabe lê”; “Aquele que estuda passa”; “Aquele que bebe Grapete repete”…

É assim que eu penso. É óbvio que respeito as opiniões divergentes e gostaria muito de ouvir novos argumentos. Agradeço antecipadamente.

Também é bom lembrar que não usamos vírgula quando sujeito é muito longo. Vejamos um exemplo: “Todos os técnicos qualificados pelo Instituto Nacional de Metrologia do Rio de Janeiro, devem comparecer à reunião no próximo dia 5”. Não acredito que alguém concorde com essa vírgula, pois separa o sujeito do predicado. Não é o fato de o sujeito ser “imenso” (ou “a falta de ar”) que justificaria o uso da vírgula.



DESVIOS-PADRÕES ou DESVIOS-PADRÃO?

Pergunta do leitor: “Em meus estudos e pesquisas na área financeira, que incluem conceitos de estatística, tenho encontrado duas maneiras de escrita do plural da palavra desvio-padrão: desvios-padrões e desvios-padrão. Da mesma forma, na empresa em que trabalho como engenheiro, as pessoas frequentemente utilizam duas formas para expressar a palavra edital-padrão: editais-padrões e editais-padrão. Pesquisei o assunto em livros de gramática e ainda não consegui chegar a uma conclusão. Entretanto, venho insistindo que o correto são as formas DESVIOS-PADRÃO e EDITAIS-PADRÃO. Estou cometendo alguma heresia, ou melhor, estou pagando um grande mico?”

Meu caro, você não está cometendo heresia alguma nem “pagando um grande mico”. Errado é pensar que esta é a única forma correta. Como você bem frisou, as nossas gramáticas não nos permitem tirar uma conclusão definitiva sobre o assunto.

Para a maioria dos estudiosos da Língua Portuguesa, a formação do plural é facultativa quando as palavras são compostas por dois substantivos e o segundo especifica o primeiro: ou vão os dois substantivos para o plural ou só o primeiro.

Eu prefiro a segunda opção. Quando juntamos dois substantivos e o segundo exerce o papel de adjetivo, somente o primeiro vai para o plural: desvios-padrão, editais-padrão, tatus-bola, elementos-chave, laranjas-lima, peixes-boi…

O problema é que esta regra não é rígida. Em geral, os nossos dicionários consideram as duas formas.

ESTUPRO ou ESTRUPO? - HAJA VISTA ou HAJA VISTO? - HAJAM ou AJAM? - PATOLOGIAS ou DOENÇAS? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



ESTUPRO ou ESTRUPO?


Já faz um bom tempo que venho colecionando “casos” em que o Português está sendo “estrupado”. São situações nas quais o erro passa despercebido a muita gente boa. São casos em que jornalistas e até advogados desrespeitam o bom uso da nossa língua.

Podemos começar pelo “estrupo”. Além de mal escrito – o certo é ESTUPRO. (O texto original dizia que segundo a lei, ESTUPRO é só de mulheres. A Lei nº 12.015, de 7 de agosto de 2009, alterou a redação do artigo 213 do Código Penal e ampliou a relação para todos os gêneros. Veja a correção completa)

Crianças podem ser sequestradas. Como não há pedido de resgate, preferem dizer que elas foram “raptadas”. Há quem pense que, se não houver pedido de resgate, não há sequestro. Outro engano. Quando o sequestrador entra em contato com a família e exige alguma coisa em troca para libertar o sequestrado, temos um outro crime: a EXTORSÃO. Assim sendo, o que os jornais chamam de “sequestro”, na maioria das vezes trata-se de um sequestro seguido de extorsão ou extorsão mediante sequestro. Sequestrar é “tirar a liberdade de alguém ou alguma coisa”. É por isso que um bem pode ser sequestrado, ou seja, torna-se indisponível (seu dono não pode vendê-lo, por exemplo).

Confusões desse tipo são muito comuns. É interessante lembrar o velho caso do ROUBO e do FURTO. Só há roubo se houver algum tipo de “violência”. É comum as pessoas definirem os cleptomaníacos como “aqueles que têm a mania de roubar”. Mentira. O cleptomaníaco tem a mania de furtar. Em geral, ele não agride ninguém. O seu prazer é “pegar escondido”.

Outro caso antigo é a mistura de MANDADO e MANDATO. Não existe “mandato de segurança”. Toda ordem judicial é um MANDADO: “mandado de prisão”, “mandado de busca e apreensão”, “mandado de segurança”. MANDATO é “o poder de mando”, é “o período em que alguém está no poder”, é “a representação que o eleitor atribui ao candidato eleito”: “Cassaram o mandato do deputado”; “O mandato do presidente é de cinco anos”.

Temos outra “pedrada” jornalística quando alguém escreve: “Fulano entrou com uma liminar”. Ora, ninguém entra com liminar. Liminar é algo que se pede, e o juiz concede ou não. É a mesma história do “entrar com efeito suspensivo”. Isso é muito comum no meio esportivo. “Efeito” é consequência. Ninguém “entra” com efeito suspensivo. Mais uma vez é algo que se pede. O certo, portanto, é dizer que “se pediu efeito suspensivo”.

Agora, se você quer ver um juiz ficar “louco da vida”, é só dizer que ele “deu um parecer”. Quem dá parecer é consultor, perito, advogado… Juiz decide.

E, para terminar, a velha história da DENÚNCIA. Para quem não sabe, a verdadeira denúncia só pode ser feita pelo ministério público. Apenas o promotor pode apresentar uma denúncia. Rigorosamente, você não pode denunciar o seu vizinho porque ele bate na mulher. O cidadão comum acusa, revela… Nesse caso, nós não estamos falando de uma denúncia formal, pois na linguagem popular o uso do verbo DENUNCIAR já está consagrado. Na minha opinião, é um caminho sem volta. Depois do “disque-denúncia”, não tem mais jeito. Afinal, por que não inventaram o “disque-dedo-duro”?

Isso tudo comprova que muitas palavras de uso específico ou técnico passam a apresentar, na língua do dia a dia, um sentido mais amplo, mais genérico.



Correção: lei sobre crime de estupro

Agradeço aos atentos internautas que me alertaram sobre a mudança na lei sobre a configuração do crime de estupro. No post anterior deste blog escrevi que “segundo a lei, ESTUPRO é só de mulheres”. A Lei nº 12.015, de 7 de agosto de 2009, alterou a redação do artigo 213 do Código Penal e ampliou ampliou a criminalização do estupro para vítimas de todos os gêneros .

O texto original dizia “Constranger mulher, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Na mudança, foi retirada a palavra “mulher” e inserida a palavra “alguém”. Veja a íntegra da lei.

Já a configuração de rapto como crime foi revogada pela Lei nº 11.106, de 2005.

O post anterior foi corrigido.




HAJA VISTA ou HAJA VISTO?

Nossos leitores criticam o festival de HAJA VISTO: “Foi demitido haja visto o problema criado”; “Foi suspenso haja visto o seu mau comportamento”; “Deverá ser substituído haja visto seu desempenho no jogo de ontem”.

É…leitor não perdoa. E eles têm razão. O certo é HAJA VISTA.

Dica para ninguém esquecer:

HAJA VISTA significa “por causa de, devido a, uma vez que, visto que, já que, porque, tendo em vista”. O curioso é que, quando usamos o TENDO EM VISTA, ninguém diria “tendo em visto”. Então, não esqueça: HAJA VISTA = TENDO EM VISTA.



PATOLOGIAS ou DOENÇAS?

Médicos criticam o uso da palavra PATOLOGIA como sinônimo de “doença”: “O paciente apresenta várias patologias…”.

Concordo. Muita gente boa está esquecendo que LOGIA significa “estudo”. PATOLOGIA não é a “doença”, e sim o “estudo das doenças”.

Num texto menos formal, seria possível aceitar o uso de PATOLOGIA por “doença” como extensão de significado.



HAJAM ou AJAM?

A frase errada é: “Vai dar certo à medida que os articuladores hajam em torno do sucesso do governo e não usem suas funções para fortalecer segmentos partidários.”

O certo é: “…quem os articuladores ajam em torno do sucesso do governo…”

Na frase acima, devemos usar o presente do subjuntivo do verbo AGIR (=ajam), e não do verbo HAVER (=hajam).

As frases abaixo estão corretas? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



As frases abaixo estão corretas?


1ª) Este é o exemplar de março e abril de nossa revista bimensal.

2ª) É a primeira vez que nascem gêmeos xipófagos nesta cidade.

3ª) Recebi outro cheque sem fundo.

4ª) Ele agiu com muita discreção.

5ª) Sua calvice era bem acentuada.



Todas as frases apresentam problemas.



1ª) A revista é BIMESTRAL (=de dois em dois meses).

BIMENSAL é “duas vezes num mês”.

2ª) Os gêmeos são XIFÓPAGOS.

3ª) O cheque é sem FUNDOS.

4ª) Ele agiu com muita DISCRIÇÃO.

Quem é DISCRETO age com DISCRIÇÃO; DESCRIÇÃO é o ato de DESCREVER; a forma discreção não tem registro.

5ª) Sua CALVÍCIE era bem acentuada.



DÚVIDAS DOS LEITORES

O problema das siglas


“Qual é o plural de CD?”

Leitor nos envia sua opinião: “Creio que existam algumas dúvidas quanto à correta utilização do apóstrofo. Este sinal tem sido muito utilizado (equivocadamente) para pluralizar siglas: ONG’s, OVNI’s, CPF’s…”

Não há regras rígidas para a formação do plural de siglas. No meio jornalístico, está consagrado o uso de um “s” (minúsculo) após a sigla: CDs, PMs, CPIs, ONGs, IPTUs, IPVAs, Ovnis, CPFs, OTNs, BTNs, Ufirs…

Não se justifica o uso do apóstrofo (CD’s, OTN’s, Ufir’s). Deve ser algum tipo de associação com o caso possessivo do inglês (Bob’s, MacDonald’s). No Português, o apóstrofo é para indicar a omissão de um fonema (copo de água = copo d’água).

Outro aspecto a ser observado é o da concordância. O artigo que precede a sigla deve ser o mesmo que precede o nome por extenso: o BNDES (o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), a CEF (a Caixa Econômica Federal), a CPMF (a Contribuição), as UFIRs (as Unidades)…



Gênero das siglas

Leitor afirma: “O problema se complica quando o nome da instituição muda – inclusive de gênero – e a sigla, por ter se tornado parte da imagem da instituição, é mantida.

É o caso da instituição na qual trabalho. Ela se chamava Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia e sua sigla era (a) COPPE. Agora se chama Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia. A sigla, pela qual é conhecida em toda parte, continua a ser COPPE. A dúvida é: qual é o gênero: (O) COPPE ou (a) COPPE?”

COPPE continua sendo a sigla de uma cooperativa, portanto a concordância deve ser feita no feminino: a COPPE.

O fato de a COPPE ter se transformado num instituto exigiria uma nova sigla. Como isso não ocorreu, sugiro que você diga que trabalha no Instituto Alberto Luiz Coimbra, a antiga COPPE.



Entre eu e tu OU entre mim e ti?


Leitor me pergunta: “Se o correto é entre MIM e VOCÊ, é incorreto, portanto, dizer “entre eu e tu”. Devemos corrigir para ENTRE MIM E TI ou ENTRE TI E MIM?”

Nosso leitor tem razão. EU e TU são pronomes pessoais do caso reto. Devemos, portanto, usá-los na função de sujeito: “Eu e tu saímos mais cedo”, “Trouxeram o livro para eu e tu fazermos o trabalho”.

Não sendo sujeito, devemos usar os pronomes oblíquos MIM e TI: “A escolha será entre mim e ti (ou entre ti e mim)”.

A diferença entre “ENTRE MIM E VOCÊ” e “ENTRE MIM E TI” é o tratamento: VOCÊ (3ª pessoa) ou TI (2ª pessoa).



Oxítonas ou paroxítonas?


1ª) “Um apartamento de dois andares é um DUPLEX ou DÚPLEX?”

2ª) “Ele precisa de VÁRIOS XEROX ou VÁRIAS XÉROX”?



Tanto faz. Todas as opções estão corretas.

1ª) A forma original era DÚPLEX e TRÍPLEX (pronúncia paroxítona, com acento gráfico), mas a variante DUPLEX e TRIPLEX (oxítona sem acento agudo), consagrada no Português do Brasil, é aceitável na língua padrão e já está devidamente registrada no Vocabulário Ortográfico da ABL e nos nossos principais dicionários.

2ª) A palavra XEROX, usada como sinônimo de fotocópia, aceita as duas pronúncias (oxítona sem acento gráfico e paroxítona com acento agudo). Também são aceitáveis os dois gêneros: o xerox ou a xerox; o xérox ou a xérox.

AVISÁ-LO ou AVISAR-LHE? - “Enfrentar de frente”. Pode? - EXTRATO ou ESTRATO? - LINKAR ou LINCAR? - ACRIANO ou ACREANO- Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



AVISÁ-LO ou AVISAR-LHE?

O verbo AVISAR é transitivo direto e indireto. Se você avisa, pode “avisar alguma coisa a alguém” ou “avisar alguém de alguma coisa”.

Portanto, as duas formas são possíveis:

“É preciso AVISAR-LHE (=objeto indireto) as novidades (=objeto direto);

“É preciso AVISÁ-LO (=objeto direto) das novidades (=objeto indireto).

Não devemos “avisar-lhe das novidades” (=dois objetos indiretos) nem “avisá-lo as novidades” (=dois objetos diretos).



“Enfrentar de frente”. Pode?

Depende. Pode falar, mas somente a ênfase justificaria o seu uso.

Leitor quer saber: “Num relatório da empresa em que trabalho, encontramos logo no primeiro parágrafo: Enfrentando de frente… Está correto ou é uma tremenda redundância?”

“Enfrentar de frente” apresenta o mesmo problema de “encarar de frente”. Trata-se de uma redundância. A menos que alguém prefira enfrentar ou encarar “de costas”.



EXTRATO ou ESTRATO?

Leitor quer saber se a frase a seguir está correta: “Esse aumento de 40% na matrícula trouxe para o ensino médio uma população de extratos mais baixos de renda.”

“Tratando-se de “camadas”, o correto não seria ESTRATOS?”

O nosso leitor tem razão.

a)    ESTRATO = “camada”. O certo é “estrato social”, “sociedade estratificada” (=dividida em camadas), “estratosfera”…

b)    EXTRATO = “essência, resumo, sumo” (vem do verbo EXTRAIR): “extrato de tomate”, “extrato bancário”, “extrato (= essência de perfume)”…




LINKAR ou LINCAR?


Em vez de fazer um link, prefiro LIGAR, UNIR ou CONECTAR. Temos aqui, um belo exemplo de estrangeirismo desnecessário. É o tal do “neobobismo linguístico”.

Pior ouvi na transmissão de um jogo de futebol americano por um canal internacional. Os narradores, brasileiros contratados para narrar os jogos em português, demonstraram a sua “enorme” preocupação com língua pátria.

Ao ser focalizado o presidente do time vencedor, o primeiro disse: “Este senhor é o chairman”. O outro, preocupado com o fato de os brasileiros não saberem o que é um chairman, apressou-se para explicar: “Chairman é o big boss”. Aí, toda a galera entendeu…



ACRIANO ou ACREANO?


Comentário de um leitor: “O que está acontecendo com os naturais do estado do Acre. Quando o crime é do deputado, é acriano. Quando é do vereador agora empossado, é acreano. Será uma questão de status?”

Não é questão de status.

O antigo dicionário Aurélio registrava as duas formas.

Segundo o novo Vocabulário Ortográfico publicado pela Academia Brasileira de Letras e o dicionário do mestre Evanildo Bechara, quem nasce no Acre é ACRIANO. Não há registro de acreano.



DESAFIO AO INTERNAUTA


Qual é a forma correta?

a)    hidro-sanitária OU hidrossanitária?

b)    sócio-político OU sociopolítico?

c)    micro-empresa OU microempresa?

d)    mini-série OU minissérie?

e)    mega-evento OU megaevento?


Segundo o novo acordo ortográfico, só devemos usar hífen após prefixos ou falsos prefixos dissílabos e terminados por vogal (auto, contra, infra, ultra, sobre, anti, mini, micro, mega, hidro, socio, tele…) se a palavra seguinte começar por H ou vogal igual: auto-hipnose, auto-observação, anti-herói, anti-inflamatório, sobre-humano, sobre-erguer, mini-hospital, mini-internato, contra-ataque…

Assim sendo, as respostas corretas são:

a)    hidrossanitária;

b)    sociopolítico;

c)    microempresa;

d)    minissérie;

e)    megaevento.

AO INVÉS DE ou EM VEZ DE - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



AO INVÉS DE ou EM VEZ DE?

a)    AO INVÉS DE = ao contrário de;

b)    EM VEZ DE = em lugar de.

Sempre que houver a ideia de “troca, substituição”, devemos usar EM VEZ DE: “Ele foi à praia EM VEZ DE ir para a escola”.

Só podemos usar AO INVÉS DE se a substituição for entre coisas opostas: “Ele entrou à direita AO INVÉS DE entrar à esquerda”.

Carta de leitor: “Estava hoje lendo um livro traduzido do inglês para o português, quando me deparei com a frase: Em vez de... Pensei comigo: será que no original em inglês estava escrito instead of ? Aí veio a dúvida: mas então a tradução deveria ser ao invés de? Quando é que devo usar ao invés de e em vez de?”

Se podemos usar EM VEZ DE em qualquer tipo de substituição e só podemos usar AO INVÉS DE se forem coisas contrárias, deixo uma sugestão: em caso de dúvida, use EM VEZ DE. Assim, você não corre o risco de errar.



ANTIGUIDADE ou  ANTIGÜIDADE?


O trema foi abolido. Isso significa que o seu uso não é mais obrigatório em palavras em que ocorrem os grupos qüe, qüi, güe e güi: freqüente, conseqüentemente, seqüestro, delinqüente, tranqüilo, qüinquagésimo, qüinqüenal, agüentar, enxágüem, averigüemos, lingüiça, pingüim, argüição, ambigüidade…

Segundo o novo acordo ortográfico, o correto agora é escrever sem trema: frequente, consequentemente, sequestro, delinquente, tranquilo, quinquagésimo, quinquenal, aguentar, enxáguem, averiguemos, linguiça, pinguim, arguição, ambiguidade…

A pronúncia continua a mesma.

O trema só era facultativo em palavras de dupla pronúncia: sanguinário ou sagüinário, liquidação ou liqüidação, antiquíssimo ou antiqüíssimo, antigüidade ou antiguidade…

Com a implantação do novo acordo ortográfico, a pronúncia continua facultativa, mas a grafia oficial é sem trema: ANTIGUIDADE.



Questões de regência

Mensagem de uma leitora: “Gostaria de saber se está correto dizer: ‘Até o mais ruim dos chocolates eu gosto’ ou ‘Até a comida mais ruim eu como’?”

Temos um problema de regência na primeira frase. O verbo GOSTAR pede a preposição DE. Isso significa que deveríamos dizer: “Até DO mais ruim dos chocolates eu gosto”.

Na segunda frase, a preposição não é necessária porque o verbo COMER é transitivo direto.

É interessante notar que nas duas frases temos o complemento verbal na posição de tópico, o que permitiria o uso de vírgulas: “Até do mais ruim dos chocolates, eu gosto” e “Até a comida mais ruim, eu como”.



CUIDADO COM A INTERNET

Mensagem eletrônica de um leitor: “Falando em manchetes. Tem aquelas duas clássicas: quando o João Gilberto jogou o violão em cima da plateia na década de 60 e um jornal deu VIOLADA NO SALÃO; e numa cidadezinha do interior um cachorro quente estragado intoxicou uma moça e apareceu CACHORRO FEZ MAL À MOÇA.”

É por causa disso que vivo afirmando que algumas frases precisam fazer o teste de DNA.

A bem da verdade, quem jogou o violão na plateia foi o cantor e compositor Sérgio Ricardo, e a tal manchete teria sido VIOLADA NO AUDITÓRIO.

Já o cachorro quente, mesmo fazendo mal, é melhor que hot dog.



O ou A personagem?

Apelo do leitor: “Gostaria que você confirmasse o gênero da palavra PERSONAGEM. Segundo o meu dicionário Aurélio, trata-se de um substantivo masculino e feminino. Ocorre que, constantemente, ouço atores e atrizes, em entrevistas, referirem-se à palavra no feminino mesmo tratando-se de personagens do sexo masculino?”

Na língua portuguesa, as palavras terminadas em –AGEM são naturalmente femininas: a lavagem, a folhagem, a contagem, a plumagem, a garagem, a aprendizagem, A PERSONAGEM (homem ou mulher)…

Com o passar do tempo, a palavra PERSONAGEM tornou-se “comum de dois gêneros”: O PERSONAGEM (homem) e A PERSONAGEM (mulher), O/A estudante, O/A artista, O/A colega, O/A jovem, O/A jornalista…

Não devemos, portanto, reduzir o caso à simples discussão de certo ou errado. Se você quer seguir a tradição, use A PERSONAGEM (para homens ou mulheres); se você aceita certas transformações pelas quais toda língua passa, prefira O PERSONAGEM masculino e A PERSONAGEM feminina.

Dúvidas e Dicas no uso do NO ou AO, baixo OU embaixo, CÍRCULO ou CICLO, A ou AO, Fôrnos OU fórnos, ANEXO ou ANEXOS, INGESTÃO ou INALAÇÃO - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



1ª) “Animais NO volante ou AO volante?”

Concordo com o nosso leitor. Também prefiro AO VOLANTE. Mas, como são animais…

É semelhante a “ficar NO sol”. A maioria prefere “ficar AO sol”.



2ª) “Devemos dizer: 1,3 tonelada, 1,2 bilhões de dólares…?”


A concordância deve ser feita com o número que vem antes da vírgula: 1,3 tonelada, 1,2 bilhão de dólares.

Para ficar bem claro: 1,2 milhão de reais = 1 milhão e 200 mil reais; 2,1 milhões de reais = 2 milhões e 100 mil reais.



3ª) “Em baixo OU embaixo?”

EMBAIXO deve ser escrito sempre “junto”. A confusão se deve ao fato de EM CIMA ser escrito “separado”. Lembre-se do “V” da vitória: EMBAIXO junto, EM CIMA separado.



4ª) “CÍRCULO ou CICLO vicioso?”

É círculo vicioso.



5ª) “A Internet A seu alcance ou AO seu alcance?”

Tanto faz. O uso dos artigos definidos (= o, a, os, as) antes dos pronomes possessivos (meu, minha, teu, seu, sua, nossa…) é facultativo.



6ª) Concordância correta?

“O clube, não se responsabiliza por objetos de valores deixados dentro dos vestiários. A concordância está correta?”

Pelo visto, o clube não se responsabiliza por objetos de valor nem com a correção gramatical dos seus avisos. Isso é que falta de responsabilidade.

É importante observar que a vírgula está separando sujeito e predicado. Portanto, “O clube não se responsabiliza por objetos de VALOR (ou não se responsabiliza por valores) deixados dentro dos vestiários”.

Uma última dúvida: será que o clube se responsabiliza por objetos de valor deixados FORA dos vestiários?



7ª) Fôrnos OU fórnos?

Leitor quer saber: “Plural de bolso é com vogal tônica aberta ou fechada? E a palavra forno?”

Chama-se METAFONIA a mudança no timbre (fechado > aberto) da vogal tônica (ô > ó).

Muitas palavras sofrem metafonia quando vão para o plural: jogo > jogos, fogo > fogos, porco > porcos, novo > novos, sogro > sogros, FORNO > FORNOS…

Existem outras tantas que não sofrem metafonia, ou seja, no plural a vogal tônica continua com timbre fechado: bolo > bolos, cachorro > cachorros, acordo > acordos, piloto > pilotos, esposo > esposos, BOLSO > BOLSOS…



8ª) “Seguem ANEXO ou ANEXOS os documentos?”

A palavra ANEXO faz papel de adjetivo. Deve, por isso, concordar com o substantivo a que se refere. Se “os documentos estão ANEXOS”, o certo é “seguem ANEXOS os documentos”.



9ª) INGESTÃO ou INALAÇÃO?

“Repórter relatando uma nova vacina escreveu: INGESTÃO POR INALAÇÃO. Por onde terá o tal repórter metido o nariz?”

Vejamos o que diz o dicionário Aurélio:

a)    INGESTÃO: Ato de ingerir; deglutição.

b)    INGERIR: 1. Meter no estômago; engolir; 2. Fazer penetrar; introduzir; intrometer.

c)    INALAÇÃO: 1. Ato ou efeito de inalar; 2. Absorção, pelas vias respiratórias…

A expressão INGESTÃO POR INALAÇÃO fica estranha porque associamos o ato de INGERIR ao ato de ENGOLIR (=”passar da boca ao estômago, deglutir”). ENGOLIR pelo nariz seria meio difícil…

O problema é que INGERIR, de certa forma, é sinônimo de “introduzir”. Portanto, com um pouquinho de boa vontade, a expressão INGESTÃO POR INALAÇÃO é aceitável, principalmente pelo fato de ser compreensível.



Desafio


Qual é forma correta?



a)    Fui eu que lavou o carro.

b)    Foi eu que lavou o carro.

c)    Foi eu quem lavou o carro.

d)    Fui eu que lavei o carro.

e)    Fui eu quem lavou o carro.


Há duas opções corretas:

d) FUI eu que LAVEI o carro; e

e) FUI eu quem LAVOU o carro.

Crase - A polêmica CRASE - Uso da Crase - quando há (ou não) crase - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



A polêmica CRASE

A crase é sempre um caso sério.

“Com dúvida a respeito da ocorrência de crase na expressão ‘Programa de Ensino à Distância’ e ‘Universidade Aberta e de Ensino à Distância’, andei pesquisando no Dicionário e na Gramática Aurélio (ambos eletrônicos) e consegui os dados abaixo:

*Dicionário Aurélio Eletrônico

Verbete: distância

Um tanto longe: Ouvimos vagos rumores a distância.

Sem familiaridade: Sua casmurrice mantinha todos a distância. [Também se usa à distância (com acento no a): Parede acima vais (a lagartixa). E eu, à distância, / Olho as tuas pesquisas apressadas (Fernando de Mendonça, 13 Decassílabos, p.8).]

*Gramática Eletrônica Aurélio

Casos particulares

Dá-se a CRASE:

a)    com a palavra CASA quando indicar estabelecimento comercial ou estiver seguida de adjunto: Foi um golpe esta carta; não obstante, apenas fechou à noite, corri à casa de Virgília. (M. de Assis)

Observação: Entretanto não há crase com a palavra CASA no sentido de residência, lar: Chegamos a casa eu e ela perto das nove horas da noite. (M. de Assis)

b)    com a palavra TERRA seguida de uma especificação qualquer:

Tanto eu quanto minha mulher já estávamos ajustados à terra e à gente de Portugal. (J. Montello)

Observação: Mas não se usa a crase antes da palavra TERRA em oposição a mar: À noite já está embarcado, e nem desce a terra para esperar a maré. (O. Costa Filho)

c)    com a palavra DISTÂNCIA quando significar na distância: Não ameis à distância. (R. Braga)”

A nossa leitora tem razão. O uso do acento da crase, para nós brasileiros, é uma grande dor de cabeça.

Primeiro, é necessário entendermos que crase é a fusão de duas vogais iguais: preposição “a” + outro “a” (artigo definido feminino ou pronome demonstrativo ou vogal inicial dos pronomes AQUELE (S), AQUELA (S), AQUILO). Isso significa que temos de saber a regência dos verbos e dos nomes (= saber se pedem ou não a preposição “a”) e reconhecer a presença do segundo “a”: “Vou a (preposição) + a (artigo) praia = Vou à praia”; “Sua camisa é igual a (preposição) + a (pronome = a camisa) do meu pai = Sua camisa é igual à do meu pai”; “Chegou a (preposição) + aquele lugarejo = Chegou àquele lugarejo”.

Depois surgem os casos particulares:

a)    Você vai a qualquer CASA com o acento da crase, menos se for a sua própria casa: “Vou… à casa dos meus avós, à casa do vizinho, à casa de Cabo Frio, à casa José Silva, à casa dela.”

Mas: “Ele retornou a casa só lá pelas onze horas”.

A explicação é a seguinte: não há artigo definido antes da palavra CASA, quando se refere a sua própria casa: “Fiquei EM casa”, “Venho DE casa”.

b)    Você vai a qualquer TERRA com acento da crase, menos se for “terra firme”: “Vou…à terra dos seus ancestrais, à terra natal, à terra da minha avó.”

Mas: “O marinheiro pediu autorização para descer a terra.”

A explicação é a mesma. Não há artigo definido antes da palavra TERRA, quando significa terra firme: “Ficamos EM terra”, “Consulte o nosso pessoal DE terra”.

c)    Com a palavra DISTÂNCIA, existe uma grande polêmica:

1o) Ocorre a crase sempre que a DISTÂNCIA estiver determinada: “Ficou à distância de cinco metros”;

2o) Se a DISTÂNCIA não estiver determinada, existem duas versões:

a)    Sem crase porque não haveria artigo definido: “Ficamos a distância”; “Ensino a distância”; ou

b)    Com crase por tratar-se de um adjunto adverbial (com palavra feminina): “Ficar à distância”, “Sentar-se à mesa”; “Bater à porta”; “Sair à noite”; “Chegar às 10h”; “Vender à vista”; “Viver à toa”; “Falar às claras”…

Agora, você decide.

Quanto aos casos das palavras CASA e TERRA, não há discussão.

Quanto à polêmica da palavra DISTÂNCIA, por uma questão de padronização, adotamos o uso da crase em todas as situações, ou seja, “ficamos à distância de dez metros” e “ensino à distância”.

Nada definitivo, é claro.



HÁ CERCA DE ou ACERCA DE ou A CERCA DE?

a)    HÁ CERCA DE

= “existem perto de”:

“Há cerca de trinta alunos em sala.”

= “faz perto de” (tempo decorrido):

“Não nos vemos há cerca de trinta dias.”

b)    ACERCA DE (= a respeito de, sobre)

“Falávamos acerca do jogo de ontem.”

c)    A CERCA DE

= referência a tempo futuro:

“Só nos veremos daqui a cerca de trinta dias.”

= referência a distância:

“Estamos a cerca de trinta quilômetros do tal lugarejo.”

= substantivo:

“Cortaram a cerca de arame farpado.”

Crase - Com ou sem crase - VALE A PENA ou À PENA? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



VALE A PENA ou À PENA?

Não há crase. O verbo VALER não pede preposição.

Se “vale o sacrifício”, é porque “VALE A PENA” (sem crase).



Sal A GOSTO ou À GOSTO?


Crítica do leitor: “Em Chef de Botequim, temos ‘1 colher de sal a gosto’. Falta crase? Se definiu ‘1 colher’, pode-se utilizar ‘a gosto’?”

O nosso leitor tem razão em parte.

1o) Há uma incoerência: ou pomos “1 colher de sal” ou pomos “sal a gosto”.

2o) Quanto à ausência do acento da crase, não há erro. Realmente não há crase. A explicação é simples: GOSTO é uma palavra masculina.

Consequentemente não pode haver artigo definido feminino “a”. Temos apenas a preposição.



VAI VIR ou VAI VIM?

Leitor, pelo correio eletrônico, cobra um comentário meu sobre o que ele chama “vírus linguístico”: o mau uso da forma verbal “VIM”.

Primeiro, é importante lembrar que a forma verbal VIM existe. O problema é saber quando usar. VIM é a 1ª pessoa do singular, do pretérito perfeito do indicativo, do verbo VIR: “Eu sempre VIM a esta casa com grande prazer”.

O que o nosso leitor chama de “vírus” é o uso da forma VIM em lugar do infinitivo VIR: “Ele não vai vim” (= VAI VIR); “Vocês não vão vim?” (= VÃO VIR); “Você pode vim sempre que quiser” (o certo é PODE VIR).

Em vez de “vai vir” e “vão vir”, prefira ELE VIRÁ e ELES VIRÃO.



Um ou dois VAI ou VÃO?

Leitor quer saber: “Ao usar UM OU DOIS, o verbo vai para o singular ou para o plural? Por exemplo, um ou dois problemas precisa (ou precisam) ser solucionado (ou solucionados)?”

Quando usamos a conjunção OU, com valor de “exclusão” ou de “dúvida”, o verbo deve concordar com o que está mais próximo:

“Ou eu ou você TERÁ de viajar a Brasília para resolver o problema.”

“Ou você ou eu TEREI de viajar…”

“Ladrão ou ladrões INVADIRAM a mansão do Morumbi”.

Portanto, a resposta é: “Um ou dois problemas  PRECISAM ser SOLUCIONADOS”.



DIZ ou DIZEM?

Crítica do leitor desta coluna: “Vejamos o que diz os dicionários Caldas Aulete e Michaelis…”

Não tem perdão. O leitor tem razão. O sujeito está no plural: “Vejamos o que DIZEM os dicionários…”



HAJA ou HAJAM?

Leitora pergunta:: “Na frase ‘Na partida em que HAJAM jogadores convocados…’, o verbo HAVER é auxiliar para a formação da voz passiva (hajam sido/tenham sido) ou tem o sentido de ‘existir’, sendo, portanto, impessoal?”

A princípio, podemos interpretar a frase de duas maneiras:

1a) HAVER tem o sentido de “existir”. É verbo impessoal (=sem sujeito). Isso significa que só pode ser usado no SINGULAR: “Na partida em que HAJA (=existam) jogadores convocados…”

2a) É possível interpretarmos a frase na voz passiva (=com o verbo SER subentendido). Nesse caso, o termo JOGADORES seria o sujeito. O verbo HAVER seria auxiliar e deveria concordar no plural: “Na partida em que os jogadores HAJAM SIDO CONVOCADOS…”

Para saber qual das duas interpretações é a correta, é necessário conhecer o restante da frase.

O mais provável é a primeira interpretação: “…hajam jogadores convocados”.



Qual é a forma correta?

a)    Catalizador ou catalisador ?

b)    Megaestrela ou mega-estrela ?

c)    Chegou em Cuba ou a Cuba ?

d)    Mau-humorado ou mal-humorado ?

e)    Isto não aconteceu por que ou porque os africanos não puderam viajar ?



Respostas:

(a) catalisador;

(b) megaestrela;

(c) chegou a Cuba;

(d) mal-humorado;

(e) porque.

Plural - Qual é o plural de aparelho de ar-condicionado? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa


Qual é o plural de aparelho de ar-condicionado?

O plural é APARELHOS de ar-condicionado.

Se você queria o plural de AR-CONDICIONADO, seria “ares-condicionados”.

Achou feio, estranho? Eu também. Prefira, então, CONDICIONADORES DE AR.



Deve-se OU devem-se?

Crítica do leitor: “Você diz que a forma correta é DEVEM-SE EVITAR as formas rebuscadas, afirmando que FORMAS REBUSCADAS é o objeto direto da forma passiva e portanto o sujeito da forma ativa. Acontece que FORMAS REBUSCADAS é o objeto direto do verbo EVITAR e não do verbo DEVER. A forma ativa correspondente seria EVITAR AS FORMAS REBUSCADAS É DEVIDO, por mais pedante que seja essa expressão. Parece-me que é exatamente o mesmo caso de DEVE-SE ASSISTIR A TODOS OS JOGOS.”

Meu caro leitor, está havendo uma confusão muito grande.

1o) FORMAS REBUSCADAS é o objeto direto da voz ATIVA (=deve evitar as formas rebuscadas) e sujeito da VOZ PASSIVA (=devem-se evitar as formas rebuscadas);

2o) A partícula SE é apassivadora. “Devem-se evitar as formas rebuscadas” (=voz passiva sintética) corresponde a “As formas rebuscadas devem ser evitadas” (=voz passiva analítica). O termo “as formas rebuscadas” é o sujeito das duas frases.

3o) “Devem evitar” e “deve assistir” são locuções verbais.

4o) A diferença está no verbo principal: EVITAR é transitivo direto e ASSISTIR é transitivo indireto.

5o) Só podemos fazer voz passiva se houver objeto direto na voz ativa para transformar-se no sujeito da voz passiva: “Ele deve evitar as formas rebuscadas (OD)” > “As formas rebuscadas (SUJEITO) devem ser evitadas” = “Devem-se evitar as formas rebuscadas (SUJEITO)”. O verbo deve concordar no PLURAL porque o sujeito está no plural.

6o) Em “Deve-se assistir (TI) a todos os jogos (OI)” não há objeto direto para virar o sujeito da voz passiva. Nesse caso, a partícula SE é indeterminadora do sujeito. Consequentemente o verbo deve concordar no SINGULAR.



CO-HABITAR ou COHABITAR ou COABITAR?


Segundo o novo acordo ortográfico, não usaremos mais hífen após o prefixo CO. Assim sendo, deveremos escrever sempre “junto”, sem hífen: copiloto, cotangente, cosseno, cooperar, colaborar, coirmão, cofundador, corresponsável, coprodução.

A resposta correta, portanto, é COABITAR. A perda do H se deve ao fato de só haver o H mudo no início das palavras ou com hífen: coabitante, coerdeiro, reaver, desumano, subumano ou sub-humano, mal-humorado, super-homem…



EMINENTE ou IMINENTE?

PRESCREVER ou PROSCREVER?


Leitor quer saber:

a)    “O perigo era tão grande que já era EMINENTE ou IMINENTE”?

b)    “O prazo de validade já PROSCREVEU ou PRESCREVEU”?

O correto é:

a)    “O perigo era tão grande que já era IMINENTE”

b)    “O prazo de validade já PRESCREVEU”

“O perigo era…IMINENTE.” (=que ameaça cair sobre alguém ou

alguma coisa; que está para acontecer);

“O prazo…PRESCREVEU.” (=ficou sem efeito por ter decorrido o

prazo legal; perdeu a validade).

Resumindo:

a)    IMINENTE é o que está para ocorrer imediatamente, em breve;

EMINENTE é importante; pessoa que ocupa cargo ou função elevada;

b)    PRESCREVER é receitar ou perder a validade, expirar o prazo;

PROSCREVER é banir, expulsar ou proibir.



Há crase ou não?

Leitor quer saber qual é a forma correta:

a)    “Em resposta À  ou  A reclamação acima citada”?

b)    “De acordo com o diretor, o descumprimento das diretrizes

estabelecidas será considerado transgressão disciplinar sujeita À  ou  A  advertência escrita, suspensão e, finalmente, desligamento da empresa”?

Respostas:

a) “Em resposta à reclamação acima citada.” (=”Em resposta AO pedido acima citado”);

b) “…sujeita a advertência escrita, suspensão e…” (=”…sujeita A elogio escrito, suspensão…”

A diferença é a presença do artigo para definir “a reclamação acima citada” na frase (a). Na frase (b), não há crase porque não há artigo antes de advertência (palavra tomada no sentido genérico, indeterminado, não específico).

Dúvidas semânticas - Dicas semânticas - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Dúvidas semânticas

A palavra é sempre um assunto apaixonante. Algumas vezes somos traídos por nós mesmos. Imaginamos que conhecemos o significado de uma palavra, e de repente a surpresa: lá está o velho dicionário para nos dar mais uma lição.

A coluna de hoje é feita com a contribuição dos nossos leitores.

1ª) Leitor quer saber: “Uma decisão ARBITRADA é necessariamente ARBITRÁRIA?”

Segundo a maioria dos nossos dicionários, deveríamos fazer a seguinte distinção:

a)    “Uma decisão ARBITRADA” é aquela que foi julgada por um árbitro. ARBITRAR é decidir na qualidade de árbitro; sentenciar como árbitro. ÁRBITRO é o juiz nomeado pelas partes para decidir as suas questões.

b)    “Uma decisão ARBITRÁRIA” é resultante de arbítrio pessoal, ou sem fundamento em lei ou em regras.

Portanto, uma decisão ARBITRADA não é necessariamente ARBITRÁRIA.

2ª) Outra leitora apresenta sua dúvida: “Hoje não leio nada que contenha o termo LENDÁRIO, e sim LEGENDÁRIO. Sei que lenda em inglês é legend, mas por acaso estou equivocada ou nós temos uma palavra apropriada para o termo aportuguesado?”

Segundo nossos dicionários, LENDÁRIO e LEGENDÁRIO podem ser usados como sinônimos. Está registrado no dicionário Michaelis: “LEGENDÁRIO 1. Que se refere a legenda. 2. Que é da natureza das lendas; lendário.”

LENDÁRIO é derivado de LENDA (narrativa em que fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela invenção poética);

LEGENDÁRIO é relativo a LEGENDA (inscrição, dístico, letreiro, vida dos santos, lenda).

3ª) Leitor quer saber: “a diferença entre ESTÓRIA (=fantasia) e HISTÓRIA (real) ainda está valendo?”

O problema é que a palavra HISTÓRIA pode ser usada tanto para as narrativas de fatos (=realidade) quanto para as lendas, fábulas, narrativas de ficção (=fantasia). ESTÓRIA é sempre ficção.

Não podemos é afirmar que a palavra ESTÓRIA não existe, pois está devidamente registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e em muitos dicionários: Cândido de Figueiredo, Caldas Aulete, Aurélio, Michaelis…

Nós podemos, portanto, fazer a velha distinção HISTÓRIA (=real) e ESTÓRIA (=ficção) ou usar a palavra HISTÓRIA para os dois casos.

4ª) Comentário do leitor: “Não existe HILÁRIO como adjetivo de ‘algo engraçado’, como insistem em escrever. O dicionário registra HILARIANTE.”

O nosso querido leitor deve ter sido traído da mesma forma como eu já fui muitas vezes. Consultar um único dicionário é sempre perigoso. O dicionário Caldas Aulete só registra HILARIANTE, entretanto a palavra HILÁRIO, usada como adjetivo (=que provoca o riso), aparece em outros dicionários (Michaelis, Larousse, Ruth Rocha…) e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Eu também prefiro o adjetivo HILARIANTE, mas não posso afirmar que HILÁRIO não existe.

A palavra é um assunto riquíssimo que merece ser tratado com carinho e atenção.



ENTRE SI ou ENTRE ELES?


a)    Usamos ENTRE SI, sempre que o sujeito pratica e recebe a ação verbal: “Os políticos discutiam entre si”. Aqui, o sujeito (=os políticos) pratica e recebe a ação verbal.

b)    Usamos ENTRE ELES, quando o sujeito é um e o complemento é outro: “Nada existe entre eles”. Nesse caso, o sujeito é “NADA” e o complemento é “ENTRE ELES”.

Vejamos mais exemplos:

“Os jogadores brigavam ENTRE SI mesmos.”

“Eles repartiram o prêmio ENTRE SI.”

“O prêmio foi repartido ENTRE ELES.”

“O segredo ficou ENTRE ELES mesmos.”



DESEMPOEIAR ou DESPOEIRAR?

Leitor quer saber: “Na área de controle ambiental, vejo muito ‘SISTEMAS DE DESPOEIRAMENTO’. Prefiro ‘SISTEMAS DE DESEMPOEIRAMENTO’. O verbo é EMPOEIRAR. O contrário não seria DESEMPOEIRAR?“

O nosso leitor tem razão em parte. A maioria dos nossos dicionários só registra os verbos EMPOEIRAR e DESEMPOEIRAR. Logo, a forma DESEMPOEIRAMENTO é a mais recomendável.

Entretanto, é importante saber que o neologismo DESPOEIRAMENTO e o verbo DESPOEIRAR já estão devidamente registrados no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras.

Portanto, você pode preferir a forma DESEMPOEIRAMENTO, mas não deve afirmar que DESPOEIRAMENTO não existe ou que seu uso esteja errado.

Está certo ou errado? Ou será uma questão de adequação? - Pronomes - Verbo Auxiliar- Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Está certo ou errado? Ou será uma questão de adequação?

Rápido comentário a respeito de cada exemplo a seguir.



1.“…mais um acidente com vítima fatal.”

FATAL é “o que provoca a morte”. Portanto, não é a vítima que é fatal. FATAL é o acidente. “Vítima fatal” está consagrada pelo uso e, hoje, perfeitamente compreensível.



2. “Os vencimentos serão pagos numa parcela única.”

“Parcela única” é muito estranho. PARCELA é “pequena parte de qualquer coisa”. Rigorosamente, “pequenas parcelas” pode ser uma redundância e “parcela única” seria incoerente.



3. “Queremos reaver o prejuízo.”

Duvido que alguém queira o prejuízo de volta. Queremos é ser indenizados pelo prejuízo.

Não sejamos, entretanto, tão rigorosos com a língua portuguesa, a expressão “correr atrás do prejuízo”, embora incoerente, é perfeitamente compreensível.



4. “O secretário explicou ontem por que deixou o cargo.”

Se tinha deixado o cargo no dia anterior, não era mais secretário.

Portanto, “o ex-secretário explicou ontem por que deixou o cargo”.



5. “Se o atacante for regularizado pela Federação…”

Não é o atacante que deve ser regularizado. A situação do jogador é que deve ser regularizada pela Federação. Leitor tem razão em parte. Nossa língua não é tão lógica como muitos pensam. O subentendido faz parte da nossa linguagem. Não sejamos tão rigorosos.



6. “Ninguém se feriu no desabamento, com exceção do porteiro.”

Para que o porteiro não se sinta pior que “ninguém”, seria melhor ter escrito: “Somente o porteiro se feriu no desabamento”. Concordo com o leitor. Frase de muito mau gosto.



7. “O Pão de Açúcar é quase 20 vezes menor que o Aconcágua.”

É impossível ser “20 vezes menor”. É um problema matemático. O contrário de “3 vezes mais” é “um terço”. Na verdade, “o Aconcágua é 20 vezes maior que o Pão de Açúcar”.



8. “Ao contrário do que foi publicado ontem, Romário fez dezoito e não dezessete gols…”

Dezoito e dezessete não são coisas contrárias. Portanto, o mais adequado é dizer: “Diferentemente do que foi publicado ontem…”



9. “Um homem se afogou e foi tirado do mar desacordado.”

Ou se afogou ou estava desacordado. Se houve afogamento, o homem estava morto; se foi tirado do mar desacordado, o homem quase se afogou.



10. “O filho fez curso de técnico de som até se tornar um nome de referência na área.”

Isso é que é força de vontade. Não largou o curso enquanto não ficou famoso. Para ficar claro: o rapaz fez um curso de técnico de som e tornou-se famoso na sua área. Ficou famoso depois de fazer o curso, e não “fez o curso até ficar famoso”.



Fui eu QUEM FEZ ou Fui eu QUE FIZ?

Tanto faz.

O verbo pode concordar com o pronome QUEM (=quem fez) ou com o antecedente do pronome QUE (=eu que fiz).

Vamos observar o exemplo que um leitor nosso encontrou no livro Memorial do Convento do grande escritor português José Saramago: “…são eles quem está construindo a obra que lhe vou mostrar…”

Nesse caso, embora o antecedente esteja no plural, o autor faz o verbo concordar com o pronome QUEM: “…eles quem ESTÁ construindo…”

Corretíssimo.



Pode-se tornar OU pode se tornar?

Leitor nos escreve: “Na versão eletrônica do Estadão, lia-se a seguinte frase ‘Corinthians pode-se tornar campeão domingo’. Não sei se se trata de um erro de impressão ou, pior ainda, de gramática, mas parece-me que a frase é incorreta.”

A frase pode perecer estranha, mas não está errada. Trata-se de uma ênclise do verbo auxiliar (=pode-se tornar). Essa colocação do pronome átono após o verbo auxiliar é raríssima no português do Brasil. A maioria dos brasileiros diria “Corinthians pode se tornar…” (sem hífen = próclise do verbo principal).

Eu prefiro a ênclise do infinitivo: “Corinthians pode tornar-se campeão no domingo”.

Vícios do “futebolês” - Conheça alguns vícios mais comuns dos comentaristas de futebol - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Conheça alguns vícios mais comuns dos comentaristas de futebol

Vícios do “futebolês”

A linguagem esportiva está sempre a merecer a nossa atenção. Basta um descuido nosso e lá estão os velhos vícios de volta.

Vamos comentar hoje uma série de exemplos coletados por nossos leitores.

Jogavam Flamengo e Peñarol no Estádio Centenário em Montevidéu. Logo após o árbitro ter encerrado o jogo, os jogadores uruguaios partiram para a briga e agrediram os rubro-negros. Além da triste cena de selvageria explícita, tivemos o desgosto de ouvir de um comentarista “especializado”: “Transformaram o Estádio Centenário numa verdadeira praça de guerra”. Por que verdadeira? Poderia ter sido uma “falsa” praça de guerra? E, cá entre nós, ninguém aguenta mais a tal “praça de guerra”. Eta chavãozinho batido! Minha ênfase é intencional. Afinal, todo chavão é “batido”.

Outro dia, o repórter que fazia a cobertura do treino do Corinthians: “O clima entre os jogadores é de alto astral”. O astral entre os jogadores pode estar alto, mas a linguagem dos repórteres esportivos está muito pobre. Foi o décimo quinto alto astral que ouvi só naquele mês. De vez em quando, o “alto astral” poderia virar “bom ambiente”, “jogadores animados”, “time otimista”…

Pode haver quem ache que eu esteja sendo muito rigoroso, mas é importante alertar nossos jornalistas esportivos para a pobreza dos clichês: “lenda viva”, “monstro sagrado”, “subiu no 3o andar (para cabecear)”, “chutar contra o patrimônio”, o zagueiro que “não perde a viagem”…

Mais incrível foi o narrador de um jogo da série B dizer que “o Fulano de Tal cobrou o manual”. Pelo amor de Deus, quem cobrava “manual” era “beque” da década de 50. É do tempo do off side e do center half. É do tempo que narrador era speaker.

Por falar em narrador, um alerta vermelho: “O atacante estava literalmente impedido”. Literalmente como? A quem interessar possa: LITERAL significa “transcrição por escrito, com todas as letras; fiel ao texto original, sem alterar palavra”. Logo, é impossível alguém ficar “literalmente impedido”. Não dá para aceitar nem como metáfora.

Já que falamos de palavras mal usadas. É bom lembrar a “febre” do DEFINIR: “As datas dos jogos ainda não foram definidas” (marcadas, fixadas); “O técnico ainda não definiu o time que sairá jogando” (decidiu, escalou); “Ele ainda não definiu quem será o substituto” (escolheu, decidiu)… Além do empobrecimento vocabular, o verbo DEFINIR está sendo mal usado.

Para facilitar as coisas: “DEFINIR o adversário” não é determinar quem será ele e sim dizer como ele é (negro, alto, forte, 27 anos…).

Portanto, esta história de “definir placar” é uma asneira imensa. DEFINIR não é “dar fim”. Trocaram o velho chavão “dar cifras definitivas ao placar” pelo modernoso e duvidoso “definir o placar”. Piorou.

Para terminar, dois errinhos:

1o) “A bola passou entre a barreira.” Entre a barreira e o quê? Ora, a bola passou pelo meio da barreira ou entre os jogadores que estavam na barreira.

2o) “Ronaldinho preferiu correr com a bola ao invés de chutar.” O certo é “em vez de chutar”. Ele trocou uma coisa por outra. AO INVÉS DE significa “ao contrário de”. Só devemos usar AO INVÉS DE, quando forem coisas opostas. E “correr com a bola” e “chutar” não são coisas opostas.



ENTRE ou DENTRE?

Leitora quer saber quando usar ENTRE e DENTRE.

1)    A preposição ENTRE só deve ser usada com “unidades” (entre elementos ou entre conjuntos):

“A bola passou entre os jogadores da barreira.”

“Ronaldinho ficou entre o pai e a mãe da noiva.”

“Andava entre as árvores da floresta.”

“Desejamos a paz entre as nações.”

Devemos evitar o uso da preposição ENTRE antes de palavras com ideia “coletiva”:

“A bola passou entre a barreira.” (= “no meio da barreira” ou poderia ser “entre a barreira e o juiz”)

“Ronaldinho ficou entre o casal.” (= “entre os pais da noiva” ou poderia ser “entre o casal e a noiva”)

“Andava entre a floresta.” (= “entre as árvores” ou poderia ser “entre a floresta e o rio”)

“Desejamos a paz entre a população.” (= “entre os homens, entre as pessoas, entre os habitantes, entre os povos” ou poderia ser “entre a população e o governo”)

2)    Devemos usar a forma DENTRE quando há um sentido de “movimento” ou de “posse” (=de entre):

“Dentre os relacionados, saiu Ronaldinho.”

“Dentre os candidatos, surgiu Fulano de Tal.”

“Um dentre os acusados é o assassino.”

“Alguém dentre nós terá de resolver o problema.”



PARA ONDE ou PARA AONDE?

Leitor quer saber qual é forma correta: “PARA ONDE ou PARA AONDE vão nossas crianças?”

O certo é “PARA ONDE vão nossas crianças”.

A forma “para aonde” simplesmente não existe.

Existem AONDE (=quando você vai “a” algum lugar) e PARA ONDE (=quando você vai “para” algum lugar):

“Ipanema é a praia AONDE ela vai em todos os fins de semana.” (=Ela vai à praia);

“São Paulo é a cidade PARA ONDE ele foi transferido.” (=Ele foi transferido para São Paulo).

O verbo HAVER - ‘Há muito tempo atrás’ é redundante; entenda mais sobre o verbo ‘haver’ - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



‘Há muito tempo atrás’ é redundante; entenda mais sobre o verbo ‘haver’

O verbo HAVER

É frequente ouvirmos a expressão “HÁ MUITO TEMPO ATRÁS”. Trata-se de uma redundância, pois, se ocorreu “HÁ MUITO TEMPO”, só pode ter sido “MUITO TEMPO ATRÁS”.

Aprendemos, faz tempo, que devemos usar a forma “HÁ”, do verbo “HAVER”, quando nos referimos a um tempo já transcorrido: “Não nos vemos HÁ dois dias”; “HÁ dez anos que ele partiu”.

É interessante observar que a redundância “HÁ…ATRÁS” só ocorre com o verbo “HAVER”. Quando se opta pelo verbo “FAZER”, ninguém diz “FAZ dez anos ATRÁS”. Aí todos falam corretamente: “FAZ dez anos”; “FAZ muito tempo”.

É importante lembrar também que, caso a ideia seja de “tempo futuro” ou de “distância”, devemos usar a preposição “a”: “Só nos veremos daqui a dois dias”; “Estamos a dez quilômetros do vilarejo”.

Vamos ver se consigo simplificar as “coisas”.

A dúvida é uma só: é verbo ou não é verbo?

Se for, devemos escrever “HÁ”; se não for, trata-se da preposição “a”. Para provar que é verbo, podemos usar o “macete” da substituição do “HÁ” pela forma “FAZ”: “Não nos vemos há (=faz) dois dias”, “Há (=faz) dez anos que ele partiu.”

Caso a substituição não seja possível, significa que não é verbo. Em “Só nos veremos daqui a dois dias”, não é possível substituirmos por “daqui faz dois dias”. O mesmo ocorre em “Estamos a dez quilômetros do lugarejo” (“Estamos faz dez quilômetros” não faz sentido).

Usamos “ano-luz” para medir distância: “…um astro semelhante ao sol a 153 anos-luz de distância da Terra.” O certo, portanto, é “…estão a anos-luz de distância…”

Por outro lado, está correto o leitor escrever: “o eclipse ocorreu há (=faz) 153 anos” e “…ocorreu há (=faz) muitos anos terrestres atrás”. O “atrás” é que é desnecessário. Agora, temos a ideia de “tempo transcorrido”.



HÁ ou HAVIA?



Leitor quer saber: “Ela estava em cena HÁ ou HAVIA mais de uma hora”.

Segundo o princípio da correspondência dos tempos verbais, devemos dizer que “ela ESTAVA em cena HAVIA mais de uma hora”.

O princípio é o seguinte: devemos usar “HAVIA” em vez de “HÁ”, quando o verbo que acompanha está no pretérito imperfeito (=estava, fazia, era) ou no pretérito mais-que-perfeito (=estivera, fizera, soubera, tinha estado, havia feito).

Em caso de dúvida, podemos usar o seguinte “macete”: substituir o verbo “HAVER” pelo “FAZER”. Se o resultado da troca for “FAZIA” (e não “FAZ”), use “HAVIA” (e não “HÁ”):

“ESTAVA sem comer HAVIA (=fazia) três dias.”

“HAVIA (=fazia) dez anos que o clube não ERA campeão.”

“Ela ESTIVERA naquela cidade HAVIA (=fazia) muito tempo.”

É importante observar que a ação se encerrou. A forma HÁ (=faz) indica que a ação verbal prossegue. Veja a diferença:

a)    “HAVIA dez anos que o clube não era campeão.” (=o clube acabou

de ganhar o campeonato);

b)    “HÁ dez anos que o clube não é campeão.” (=o clube continua sem

ganhar o campeonato).



TEM ou HÁ?

Leitor considerou uma vergonha o anúncio: “No Brasil não TEM maremotos, vulcões, terremotos, furacões.”

Comentário de outro leitor: “Aprendi que não devemos confundir os verbos “HAVER” e “TER”: ‘Nesta banca HÁ (=existe) várias revistas’ e ‘Esta banca TEM (=possui) várias revistas’. Os gênios da publicidade são os que mais cometem tal erro.”

Os nossos leitores têm razão em parte. Segundo a gramática tradicional, não devemos usar o verbo “TER” no sentido de “HAVER” (=existir).

Não podemos, entretanto, esquecer que o uso do verbo “TER” em lugar do verbo “HAVER” é uma das características do Português falado no Brasil. Isso significa que, num texto informal que queira retratar a linguagem coloquial brasileira, o uso do verbo TER é aceitável.

Não devemos reduzir o caso a simples discussão de certo ou errado. Inadequado seria usar o verbo TER (=haver, existir) em textos formais que exijam uma linguagem mais cuidada, que siga os padrões da chamada norma culta.



O GRAMA ou A GRAMA?



Estava escrito: “…a grama da gordura animal tem nove calorias, enquanto a grama da proteína do feijão tem quatro calorias.”

Nossos leitores têm razão. O autor deve estar fazendo referência “à grama” que o animal comeu e virou gordura e também “à grama” que nasceu junto aos pés de feijão.

A história é velha, mas vamos repetir. O substantivo GRAMA quando se refere à massa (na linguagem popular, falamos “peso”) é MASCULINO.

Portanto, “…O GRAMA da gordura animal tem nove calorias, enquanto O GRAMA da proteína do feijão tem quatro calorias.”

Uso dos NEOLOGISMOS - Neologismo divide entusiastas das novidades e defensores da tradição - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Neologismo divide entusiastas das novidades e defensores da tradição

Uso dos NEOLOGISMOS

O prefixo NEO vem do grego e significa “novo”. NEOLOGISMOS são “palavras novas”, que não estão registradas em nossos dicionários nem no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras.

O uso de neologismos costuma gerar muita discussão.

Há quem adore as novidades e não faça restrição alguma ao seu uso, e existem aqueles que só aceitam os neologismos depois de devidamente registrados em algum dicionário. E aqui já temos um novo problema. Para o brasileiro em geral, só há um dicionário: o Aurélio. É, sem dúvida, um dos melhores. É bom lembrar que a edição lançada em 1999, última publicada pela Editora Nova Fronteira, apresentava 28 mil novos verbetes. Temos de tomar muito cuidado ao afirmar que tal palavra existe ou não. Quem tem o velho Aurélio pode ser traído pela nova edição.

É importante lembrar também que o dicionário Aurélio apresenta em torno de 180 mil verbetes, que o dicionário Michaelis tem um pouco mais de 200 mil, e que o dicionário Houaiss apresenta aproximadamente 230 mil verbetes. Esses números aumentam a cada nova edição. Isso é normal. É muito perigoso afirmar que uma palavra existe ou não. Tem de pesquisar.

Usar ou não um neologismo torna-se uma questão um pouco subjetiva. Por exemplo, você gosta do verbo DISPONIBILIZAR? É, sem dúvida, um verbo muito usado no meio empresarial. É adorado por alguns e detestado por outros, principalmente por aqueles que descobriram que DISPONIBILIZAR não estava registrado no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e que não aparecia em dicionário algum. Um aviso aos navegantes: o verbo DISPONIBILIZAR já está devidamente registrado no último VOLP e nas novas edições dos nossos dicionários.

Agora, você decide. Qual é a sua preferência: “O governo vai disponibilizar as verbas necessárias para as obras…” ou “Segundo o governo, as verbas necessárias para as obras estarão disponíveis…”?

A aceitação de um neologismo pode provocar discussões sem fim. É importante lembrar que os neologismos fazem parte da evolução das línguas vivas. Muitas palavras que hoje estão nos nossos dicionários já foram, algum dia, belos neologismos. Foram consagradas pelo uso e abonadas pelo tempo. E aqui, a grande lição: nada como o tempo para provar se a palavra é boa ou não, se é necessária ou não.

Leitor nos manda o seguinte exemplo: “Acabo de chegar da cidade de Natal, Rio Grande do Norte, e lá é comum ler-se RETORNO SEMAFORIZADO”.

É como afirmei acima. Só o tempo vai nos dizer se a palavra é boa ou ruim, se ela fica ou não. Tudo que é estranho hoje pode ser muito comum daqui a alguns anos.

E não devemos esquecer que os neologismos enriquecem as línguas. SEMAFORIZADO (palavra já registrada no novíssimo Aurélio) vem de SEMÁFORO, palavra formada por elementos de origem grega: SEMA (=sinal, sentido, significado) e FORO (=que faz, que produz). Para quem não conhece a palavra, SEMÁFORO é o que o carioca chama de “sinal”, o paulista também chama de “farol”, o gaúcho chama de “sinaleira” e assim por diante. Isso é riqueza vocabular.

Portanto, não sejamos radicais. Bom senso e cautela não fazem mal a ninguém. E ter opinião não é crime.



ACURADO e APURADO?

ACURADO significa “esmerado, apurado, aprimorado”;

APURADO significa “que tem ou é feito com apuro; elegante, esmerado, fino; correto, perfeito; apressado, impaciente”. (Dicionário Larousse)

Como podemos observar, em determinadas situações ACURADO e APURADO podem ser sinônimos.

Leitor pergunta a respeito da frase “Eles ficaram surpresos com a acurácia das previsões…”: “Existe a palavra ACURÁCIA?”

Existe. Tanto o Vocabulário Ortográfico da ABL quanto o dicionário Aurélio registram a palavra ACURÁCIA, que significa “precisão”. Era exatamente isso que o autor queria dizer: “Eles ficaram surpresos com a PRECISÃO das previsões…”



RANQUEAMENTO?

Leitor quer saber se RANQUEAMENTO é um neologismo aceitável ou não?

É uma questão muito subjetiva.

Se você quer saber se a palavra “ranqueamento” tem registro em algum dicionário ou no Vocabulário Ortográfico da ABL, a resposta é SIM e NÃO.

A palavra “ranqueamento” é derivada de ranking, que já aparece registrada em alguns dicionários, como o Michaelis.

Como as últimas edições de nossos dicionários incorporaram um grande número de estrangeirismos usados no Brasil, ficarei surpreso se não encontrar o registro de ranking e de “ranqueamento”. Só pode ser esquecimento.

Nada tenho contra a palavra ranqueamento. Na minha opinião, é bem-vinda.

Uso do ‘mesmo’ e o duelo ‘vir’ X ‘vier’ - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Uso do ‘mesmo’ e o duelo ‘vir’ X ‘vier’

Algumas frases publicadas em vários jornais.

1ª) “Solicito ao prezado professor informar se há erro no emprego da palavra MESMOS no seguinte trecho: “…trabalhos da CPI, fazendo com que não venham os mesmos a ser declarados nulos futuramente…”

Para os gramáticos mais rigorosos, existe erro: não deveríamos usar o pronome MESMO para substituir termos expressos anteriormente (=trabalhos da CPI). Só poderíamos usar a palavra MESMO como pronome de reforço: “Eu mesmo fiz este trabalho” (=eu próprio); “Ela mesma resolveu o caso” (=ela própria); “Eles feriram a si mesmos” (=a si próprios)…

Entretanto, devido ao uso consagrado, muitos estudiosos da língua portuguesa já aceitam o uso do MESMO como pronome substantivo (=substituindo um termo anterior).

Eu não considero erro, mas sou contra. Sugiro que se evite o uso do pronome MESMO em lugar de algum termo já expresso. Ainda que não seja erro, caracteriza pobreza de estilo. Muitas vezes usamos a palavra mesmo porque falta vocabulário ou porque não sabemos usar outros pronomes.

Na frase em questão, o pronome mesmos poderia simplesmente ser omitido: “…fazendo com que não venham a ser declarados nulos…”

2ª) E a concordância na frase “…a grande maioria das empresas de educação superior foram fragorosamente chumbadas…” está correta?

Erro não é, pois nossas gramáticas preveem a tal concordância atrativa: o verbo concorda com o adjunto (=empresas) devido à proximidade.

Não é, entretanto, o nosso padrão. A nossa orientação é fazer o verbo concordar rigorosamente com o núcleo do sujeito (=maioria). Para nós, portanto, deveria ser: “…a grande MAIORIA das empresas de educação superior FOI fragorosamente CHUMBADA…”

3ª) E a frase “Fechar as que têm mal desempenho…” está correta?

Se não escrevemos BEM, é porque estamos escrevendo MAL. Se o desempenho das universidades não foi BOM, devemos “fechar as que têm MAU desempenho”.

4ª) E a frase “Grande empresa também fica na mão” é boa?

Concordo com o nosso leitor. Não é uma questão de certo ou errado. Trata-se de uma expressão inadequada ao nosso texto. “Ficar na mão” é uma expressão excessivamente coloquial e não é apropriada à linguagem dos bons jornais. Deve ser evitada, principalmente em títulos. Termos e expressões coloquiais são adequados somente em textos informais.

5ª) Leitor diz ter lido num jornal on-line: “O irmão do deputado cujo

mandato foi cassado pela Câmara, teve sua prisão preventiva decretada em novembro e estava foragido há um mês.” A dúvida do leitor é a seguinte: CUJO refere-se ao irmão ou ao deputado?

Nosso leitor tem razão. Trata-se de uma frase ambígua. O pronome

relativo CUJO pode fazer referência tanto ao deputado quanto ao irmão dele. É lógico que o autor da frase usou o CUJO para referir-se ao ex-deputado, mas quem não acompanha as páginas policiais ou políticas poderia perfeitamente entender que a Câmara tinha cassado o mandato do irmão.

É a mania de dar várias informações numa única frase. E a desculpa de que o leitor já sabe quem foi cassado é absurda. Se o leitor já sabia, para que repetir a informação?



VIR ou VIER?



1)    VIR pode ser:

a)    INFINITIVO:

“Eles precisam VIR ao nosso escritório para assinar o contrato.”

Cuidado: “Ele vai vim” está totalmente errado. O certo é “ele vai VIR”. Melhor ainda: “ele VIRÁ”.

b)    FUTURO DO SUBJUNTIVO do verbo VER:

“Quando eu VIR o filme, poderei opinar.”

“Se você VIR o projeto, vai adorar.”

Cuidado: O uso do verbo nas frases “Quando eu ver o filme…” e “Se você ver o projeto…” está errado.

2)    VIER é FUTURO DO SUBJUNTIVO do verbo VIR:

“Quando eu VIER novamente, assinaremos o contrato.”

“Se você VIER ao Rio de Janeiro, vai adorar.”

Cuidado: O uso do verbo nas frases “Quando eu vir aqui novamente” e “Se você vir ao Rio de Janeiro” está errado.



O DESAFIO

Qual é a forma correta?

1ª) Ver O jogo ou AO jogo?

2ª) Assistir O jogo ou AO jogo?

Segunda a regência clássica, exigida em nossos concursos, as respostas corretas são:

1ª) Ver O jogo (VER é verbo transitivo direto);

2ª) Assistir AO jogo (ASSISTIR, no sentido de “ver”, é transitivo indireto).

Quais cidades, estados brasileiros e países pedem artigo definido? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Quais cidades, estados brasileiros e países pedem artigo definido?

…quando devemos usar os artigos definidos antes dos nomes de cidades, estados brasileiros e países?

É importante lembrarmos que o uso do artigo definido pode mudar o sentido da frase. “Está preso em presídio estadual” é diferente de “Está preso no presídio estadual”. No primeiro caso, o estado tem dois ou mais presídios; no segundo, só há um presídio estadual.

Quanto aos nomes de cidades, estados e países, o problema é sério e merece muito cuidado.

1)    São poucas cidades que exigem artigo: o Rio de Janeiro, o

Porto, o Cairo… Os nomes da maioria das cidades são usados sem artigo: São Paulo, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre, Paris, Roma, Lisboa…

Quando o nome da cidade é caracterizado por qualquer expressão, o artigo se torna obrigatório: a progressista Curitiba, a bela Porto Alegre, a antiga Roma, a Paris dos meus sonhos.

2)    Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco,

Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe são usados sem artigo. Os demais estados brasileiros exigem o artigo: o Amazonas, o Pará, o Ceará, a Paraíba, a Bahia… Com Alagoas e Minas Gerais, o artigo é facultativo: hoje usamos Alagoas e Minas Gerais (=sem artigo); mas também é correto usar “as Alagoas” e “as Minas Gerais”.

3) A maioria dos nomes de países exigem o artigo: a Argentina, o Brasil, a Alemanha, o Peru, a Espanha, o Uruguai… Mas há um bom número que rejeita o artigo: Israel, Portugal, Cuba, Angola, Moçambique, Cabo Verde…

Como podemos constatar, não há propriamente uma regra.





DÚVIDA DO LEITOR

Agilizar ou agilitar?

Escreve o nosso leitor: “Se num dicionário consta determinado vocábulo, isso não quer dizer que ele seja vernáculo. Especialmente se a formação da palavra está em desacordo com as normas do idioma (agilizar, por exemplo, é horrível; se não escrevemos facilizar, habilizar, devemos escrever agilitar)”.

Discordo. A incorporação de um neologismo se deve ao seu uso consagrado. E a formação de agilizar não está em desacordo com as normas do idioma. Se temos facilitar e habilitar (formadas com o sufixo “-itar”), também temos normalizar e utilizar (formadas com o sufixo “-izar”).

Quando ao uso, não tenho dúvida alguma de que a maioria fala agilizar. Nas poucas vezes em que ouvi alguém dizer “agilitar”, sempre percebi certo mal-estar e aquela desagradável situação: todos olhando para mim à espera de uma reação.





DÚVIDA DO LEITOR

VIGIR ou VIGER?

Observação de um leitor a respeito de um informe publicitário: “O controle de preços dos medicamentos é inconstitucional e é impossível de vigir porque vai contra o princípio da livre concorrência estabelecido pela Constituição.”

O nosso atento leitor tem razão. O verbo vigir não existe. O verbo é viger, sinônimo de “vigorar, ter validade”. Do verbo viger derivam-se o substantivo vigência e o adjetivo vigente: “Durante a vigência do contrato…”; “O prazo vigente é…” Portanto, o correto é dizer que “o controle de preços ainda está vigendo”.



DESAFIO

Qual é o significado de INANIÇÃO?

(a)  Absorção pelas vias respiratórias, de vapor de água puro ou misturado a substâncias medicamentosas;

(b)  Resultado da privação total ou parcial de alimento, fraqueza, extrema debilidade;

(c)  Que nunca se ouviu dizer, extraordinário, espantoso.



Resposta:

Letra (b) = inanição é o estado de inane, que significa “vazio, oco, que nada contém”. Falamos muito de inanição quando nos referimos àquelas pessoas que se encontram em estado de extrema fraqueza por falta total ou parcial de alimentação.

A absorção pelas vias respiratórias, de vapor de água puro ou misturado a substâncias medicamentosas é inalação.

E o que nunca se ouviu dizer é inaudito.



CRÍTICA DO LEITOR

“Todos os pedidos de rede de rádio e TV, de qualquer ministro, é atendido…” e “Não existe, no Brasil, instalações para internação específica de dependentes químicos”.

Observação de um leitor muito atento: “A minha impressão é que há dois grandes culpados pela maioria dos nossos erros de concordância: 1o) a distância entre o sujeito e o verbo; 2o) o sujeito posposto (=sujeito depois do verbo)”.

Concordo com nosso leitor. Ele está corretíssimo:

1o) a distância entre o sujeito e o verbo: “Todos os pedidos…são atendidos…”;

2o) o sujeito posposto (=sujeito depois do verbo): “Não existem…instalações…”

O que significa “estar ruim da bola”? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



O que significa “estar ruim da bola”?

Se você imaginou que eu estaria disposto a falar do atual estágio do futebol brasileiro, enganou-se. Não preciso “estar ruim da bola” para perceber que os nossos “craques”, no momento, andam meio “ruins de bola”. Mas…isso é um outro problema.

Não quero falar da bola bola, do esférico como dizem nossos irmãos portugueses. A “bola” a que estou fazendo referência é a cabeça. “Ruim da bola” é uma expressão de gíria muito antiga, que significa “estar ruim da cabeça, meio louco, meio tonto, meio bobo”.

E aqui é que está a surpresa. Segundo o jornalista, antropólogo e pesquisador J.B.Serra e Gurgel, autor do ótimo e seriíssimo Dicionário de Gíria, a palavra “bola” aparece registrada como gíria, ou seja, significando “cabeça”, em 1712.

Segundo o mesmo dicionário, existem várias expressões de gíria ainda conhecidas hoje que nasceram num passado muito distante. Vejamos alguns exemplos com sua data de registro:

1759 – cara de lua cheia, cara de fuinha, franzina, fedelho, festa de arromba, levar uma tunda, nariz de cera, ninharia, sonso, zorra…

1903 – cantar (conquistar com galanteios), canudo (diploma), enrabichar (apaixonar-se), galinha (mulher sapeca), gostosa (mulher bonita), lábia (astúcia), sapeca (namoradeira)…

1912 – dar um beiço (não pagar), bobo (relógio), mina (mulher), otário (bobo), patota (grupo), pisante (sapato), talagada (gole de aguardente), zoeira (barulho)…

1920 – bocó (palerma), cafundó (lugar muito retirado e deserto), jururu (triste), pamonha (pessoa apalermada), pancada (maluco), pileque (bebedeira), sabão (repreensão)…

1953 – abacaxi (coisa que só dá trabalho), birosca (tendinha ordinária), dar o maior bode (problemão), gaita (dinheiro), leão de chácara (vigia, segurança), tapado (estúpido), uva (mulher bonita), xaropada (coisa enfadonha)…

1959 – barbada (jogo fácil), calhambeque (carro velho), cambito (pernas finas), galinhagem (libertinagem), jujuba (bala de goma), parrudo (forte, gordo), xodó (predileção amorosa)…

O mais incrível é tomar consciência de que palavras que povoaram minha juventude não eram tão jovens como eu imaginava.

A verdade é que muitas palavras e expressões usadas hoje em dia como gíria “atual” foram criadas por nossos avós.



DICA DE CONCORDÂNCIA

Com o verbo CUSTAR:

É unipessoal. Só deveria ser usado na 3a. pessoa do singular.

“Francamente, CUSTEI a me acostumar e até achei o conjunto um pouco feio.” Embora usual, essa forma não segue rigorosamente a tradição gramatical. O correto seria “custou-me”, mas isso não é comum na fala dos brasileiros. Podemos substituir por outras formas: “Francamente, FOI DIFÍCIL eu me acostumar …”

Não esqueça que, quando o sujeito for “oracional”, o verbo deve concordar no singular: “CUSTOU-me perceber a verdade”; “CUSTA a nós aceitar essas condições”; “No Vestibular, BASTA conseguir três mil pontos”; “É NECESSÁRIO convocar onze craques para poder sonhar com a Copa”.



CRÍTICAS DOS LEITORES

“Cheques sem fundo” e “Vale à pena”.

O nosso sempre atento leitor tem razão mais uma vez.

O cheque é sem fundos. Fundo se refere à profundidade: “Era possível ver o fundo do mar”. Quando nos referimos a “bens, dinheiro, reservas”, aí estamos falando de fundos.

Alguma coisa só vale a pena se for sem o acento grave indicativo da crase. O verbo valer é transitivo direto, isto é, não exige preposição. Isso significa que a crase é impossível. Temos apenas o artigo definido “a”. Vale a pena da mesma forma que vale o sacrifício.



DESAFIO

Que significa trimensal?

a)    três vezes no mês;

b)   de três em três meses;

c)    de seis em seis meses.



Resposta:

Letra (a) = tri (=três) + mensal (=por mês).

De três em três meses é trimestral; e de seis em seis meses é semestral.



DÚVIDA DO LEITOR

“Posso construir uma frase colocando a conjunção no final, como em ‘…estava magoado, entretanto”? E se a linguagem fosse poética, poderia?”

É claro que pode. Nada contra.

A crítica que poderíamos fazer é contra certo vício que, volta e meia, ouço por aí. É a desgraça do “no entretanto”, que deve ser uma mistura de entretanto com no entanto. Mistura inaceitável, embora sejam conjunções adversativas. São sinônimas de “mas, porém, contudo, todavia”.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dicas - Rotina de estudo para concursos públicos



Rotina de estudo para concursos públicos – Dicas

Ao decidir se dedicar a estudar para concursos públicos é fundamental criar uma rotina para enquadrar os estudos como uma atividade natural do seu dia a dia, caso contrário, será muito difícil encontrar tempo para de fato se entregar aos estudos.

Para tanto, delimite os horários em que irá estudar. Faça um cronograma das matérias, distribuindo-as ao longo da semana, lembrando sempre de alternar as disciplinas que mais aprecia e aquelas que não lhe agrada tanto, para não ficar tão cansativo.

Inclua em sua rotina de estudos um momento dedicado à resolução de exercícios. A cada matéria estudada, inclua uma série de questões para a fixação do tema analisado e, sempre que possível, resolva as provas anteriores relativas ao concurso que irá prestar.

Não deixe de fazer um intervalo entre uma matéria e outra, para se alongar, ir ao banheiro, tomar água, enfim, desviar por uns minutos a atenção e a tensão.

E agora, uma valiosa dica: no momento em que começar a perceber que o que conteúdo já não está mais sendo absorvido, dê um tempinho, relaxe, e altere a matéria que está estudando. Você perceberá que esta simples medida vai renovar o seu desempenho.